A manipulação genética torna cada vez mais real a ideia de seres fisicamente perfeitos - livres de males congénitos e hereditários. A cirurgia plástica promete moldar-nos cada vez com mais exactidão à imagem e semelhança não de Deus, mas dos modelos e actrizes de Hollywood. O mesmo acontece com a cosmética que oferece soluções cada vez mais apuradas para as nossas imperfeições fisícas. Sonhamos com uma imagem jovem, magra e perfeita, mas também com uma existência admirável como os pais perfeitos, profissionais imbatíveis ou seres impolutos. E os livros de auto-ajuda multiplicam-se para dar respostas à ansiedade que esta realidade gera. Será que a perfeição deve ser uma meta a almejar? Como foi que esta deixou a esfera divinal para vir inquietar a alma humana e a sua existência terrena? Qual é o lugar da perfeição no mundo em que vivemos, na vida que levamos e no nosso aprimoramento como seres humanos?
quarta-feira, agosto 01, 2007
Em BuScA dA pErFeIçÃo
Corpos idealizados, vidas utópicas, demasiada exigência de nós próprios.
Como ultrupassar o medo da imperfeição?
quinta-feira, março 01, 2007
A Minha Vida Deu Um Filme

Tarnation é uma espécie de pequeno "evangelho" fílmico, se atendermos à origem etimológica da palavra "evangelho", que significa "boa nova". È-o não apenas porque quase inaugura um novo género (algo que poderíamos situar nas imediações do "autobiographical docu-therapy"), mas também porque se constitui como filme adventício de uma nova era do cinema, a do do it yourself, do lotech film-making, em que qualquer pessoa pode pegar numa câmera barata e recorrer a software de edição de imagem para contar a "sua" história.
Foi o que Jonathan Caouette fez em Tarnation, aquele que é provavelmente o filme menos dispendioso de sempre (custou apenas uns escassos 218 dólares), para contar, de forma pessoalíssima, originalíssima e incomparável, a história da sua indiossincrática e estranha vida. No mundo do cinema actual haveria um antes e depois de Jonathan Caouette: ele seria uma espécie de pequeno profeta de uma nova era do filme (a da democratização e liberalização totais da sua produção e criação) e Tarnation algo como um "evangelho"que poderia servir de modelo, inspiração e revelação a uma nova "geração" de filmes em que "cidadãos anónimos" contariam, em registo de autodocumentário catártico, a história das suas vidas (desde que valesse a "pena" ser contada).
Tarnation é a articulação narrativa numa espécie de psicodrama familiar do que foi a vida de Caouette, marcada pela doença maníaco-depressiva da mãe (durante anos erroneamente diagnosticada como esquizofrenia), (mas que, apesar da doença, ou sobretudo graças a ela, revela uma curiosa veia "filosófica" e "existencial"), mas também pela experiência de ser criado maioritariamente pelos avós, de crescer homossexual ou de aprender a lidar com a sua própria perturbação emocional (um transtorno da personalidade que dá pelo nome de "despersonalização", e é caracterizado por sentimentos de perda de identidade e desrealização, como se a realidade fosse um sonho - daí também o onirismo e psicadelismo de Tarnation).
Alguns poderão acusar Tarnation de ser um exercicio de "terapia exposta", de ser narcísio, vampírico, sentimentalista, auto-indulgente ou até pornograficamente confessional - mas o que fica para a história é um filme comovente, corajosamente liberal e com um valor redentor e "curativo" brutal.
domingo, fevereiro 18, 2007
World Press Cartoon 2006
Grand Prix 2006

O World Press Cartoon pretende ser uma referência em termos de qualidade e de prestígio para todos os cartoonistas que a nível mundial publicam os seus trabalhos em jornais e revistas de circulação pública. Constituído por três grandes áreas do humor gráfico de imprensa: desenho de humor, cartoon editorial e caricatura, o World Press Cartoon – Sintra 2006 assume-se como salão não temático e o seu objectivo é distinguir os melhores trabalhos produzidos e publicados em jornais ou revistas.

sábado, fevereiro 17, 2007
World Press Photo 2006
(O americano Spencer Platt foi o vencedor da edição 2006)A maior edição de prémios de fotografia mostrou ao mundo, as melhores imagens de 2006. Os conflitos mundiais que marcaram o ano passado são mais uma vez as figuras centrais da exposição que corre o mundo.
A melhor foto de 2006 retrata um grupo de jovens sofisticadas conduzidas por um rapaz, num veículo topo de gama descapotável, pelas ruas de um dos bairros de Beirute bombardeados, por Israel, no último Verão. O contraste entre as duas realidades é visível na expressão das jovens raparigas.
A edição deste ano do World Press Photo mostra-nos, mais uma vez, fragmentos de vida de todos os cantos do mundo. Nigéria, Darfur ou França são exemplos.
O World Press Photo chega a Portugal no Verão. A primeira exibição de fotos terá lugar no Passeio Ribeirinho de Portimão, entre 21 de Julho e 12 de Agosto. A exposição volta a Portugal já com tempo frio, desta vez, no Norte do País. As imagens poderão ser vistas de 4 a 25 de Novembro, no Fórum da Maia.
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
The Re-Birth...Of a New Generation?

A dinâmica do gosto tem muito que se lhe diga. O que hoje é tabu, amanhã há-de ser a grande moda, da mesma maneira que o que adoramos num momento pode tornar-se xunga da noite para o dia. Foi mais ou menos isso que aconteceu com o Disco Sound no início dos anos 80, quando a febre de sábado á noite deu lugar ás queimadas de discos em estádios de futebol. Durante anos, o Disco foi maldito e parecia que não havia mais nada além dos Boney M e dos Village People. Hoje reconciliamo-nos com a história e descobrimos que não só o Disco Sound tem mais para além do que estávamos habituados a pensar, como somos capazes de ouvir o pior dos grupos (qualquer um dos dois citados, por exemplo) e descobrir coisas supreendentes.
O Disco nunca se foi embora. Nos anos 80 e 90 disfarçou-se de House para evitar conotações negativas, mas sempre ditou regras na pista de dança. Gente como os britânicos Idjut Boys, há muito que prega em seu favor e Dj Harvey, que fez carreira como Dj de House, também foi um dos pioneiros a dar o contributo para ser reestabelecido o bom nome do Disco, o mesmo podendo dizer-se de Daniel Wang (americano de origem tibetana). Foi, no entanto, nos últimos 3 a 4 anos, sobretudo a partir da Noruega, que começou a perceber-se um revivalismo Disco encabeçado por gente como Hans Peter Lindstrom, Prins Thomas, Todd Terje ou Rune Lindbaek. O Disco que inspira estes novos produtores não é o Disco Sound comercial, mas sim as suas experiências mais cósmicas ou de divagação electrónica. Ao que fazem, chama-se muita coisa, Nu Disco, Space Disco, mas também Beardo Disco porque todos usam barba...
sexta-feira, setembro 22, 2006
A LoNgItUdE

O vazio que circula nas veias, de tão vazias que secam como o bater cintilante que perpetua no meu horizonte. Nada me preenche e se houve, apenas causou a efemeridade de um momento simples, arrepiante e tresloucado. Sinto que nada é vivo, senão o batimento que me causa ardor em pensamentos distorcidos, será cobardia por sentir assim, uma agonia sem fim.
Que fim será? O principio do inacabado, ainda que me embale nos mais bélicos sonhos e me aconchegue nos lençois frios, que a brisa tem um sabor quente mas gélido por um enlace inconcebivel.
Um olhar distante...como o farol que apazigua a solidão do mar!
terça-feira, setembro 05, 2006
terça-feira, abril 18, 2006
The Strokes In Portugal
Já Não Era Sem Tempo...
O Doclisboa, único Festival de Documentário Internacional Português, vai organizar a sua Quarta Edição este ano, depois de em 2005 ter tido "perto de 19 mil espectadores, o que é significativo quando se diz que o público do Cinema português é reduzido".
O Festival decorre este ano entre a 20 e 29 de Outubro, em Lisboa.
sexta-feira, abril 14, 2006
A Casa Da Música Celebra Um Ano De vida
A Ìndia Ficou Mais Pobre...

Raj Kumar um dos mais famosos actores indianos, morre aos 77 anos. Kumar fez mais de 200 filmes, em língua Kannada, ao longo de cinco decénios.
Apesar de nos últimos anos ter abandonado a representação continuou a ser uma das figuras mais queridas do Sul da Ìndia.
Era conhecido por nunca ter fumado um cigarro na tela ou desempenhado papéis de um embriagado. Voltou a ser falado em 2000, quando foi raptado pelo homem que era então o criminoso mais famoso da Ìndia, Veerapan.
quinta-feira, abril 13, 2006
segunda-feira, abril 10, 2006
domingo, abril 09, 2006
À Flor Da Pele...

À flor da pele e na sua profundidade da alma - assim é a violência no quotidiano, uma violência que percorre e ricocheteia sobre todas as superfícies da nossa existência, e que uma palavra, um gesto, uma imagem, um grito, uma sombra mesmo, capta, transporta e relança indefenidamente - e que, no entanto, dessa espuma dos dias, de abrem à alma, em mergulhos de angústia, abismos vertiginosos, que nos levam a dizer: «Serei eu, verdadeiramente, essa violência?»
Caso de pele, a violência, naquilo que se ouve dizer: um reflexo sombrio ou claro, um odor mesmo fugaz, uma prega dissimulada, inquisidora - e a violência adquire fogo e chama!
Mas, mais ainda, é a pele que será para nós, encetando o nosso objectivo, um caso de violência que funciona como a superfície de inscrição onde se gravam, em sangrentos arabescos, os traços dessa «colónia penitenciária» que é sempre, de qualquer forma, constitutiva de toda a sociedade humana, sociedade de colonizados e penitentes - que todos nós somos.
A linguagem é eloquente e todo aquele que se entregue a uma pequena fenomenologia dos seus humores violentos reconhecê-los-à talvez nestes três breves planos - a habitual triologia: Ele, Ela, Eu - colhidos à flor da pele...
sábado, abril 08, 2006
Grandeza e Miséria

Visto que a miséria se conclui da grandeza, e a grandeza da miséria, uns concluíram da miséria tanto mais quanto tomaram por prova a grandeza, e os outros concluíram a grandeza com tanto mais força quanto a concluíram da própria miséria, e tudo serviu de argumento aos outros para concluírem a miséria, visto que é ser tanto mais miserável quando se caiu de mais alto; e os outros, ao contrário.
Elevaram-se uns acima dos outros por um círculo sem fim: sendo certo que, à medida que os homens têm luzes, encontram grandeza e miséria no Homem.
Numa palavra, o Homem conhece que é miserável: é, pois, miserável, visto que o é; mas é muito grande, visto que o sabe.
sexta-feira, abril 07, 2006
A Idade De Ouro

Na década dos 40, O Falcão Maltês, de John Huston, é o primeiro grande clássico do film noir. O lendário Casablanca faz de Humphrey Bogart e Ingrid Bergman um casal mítico.
Gjilda, de Charles Vidor, exibe o glamour explosivo de Rita Hayworth.
O Mundo a Seus Pés, revela o grande Orson Welles, um fenónemo de modernidade artística.
Em Portugal, Manoel de Oliveira realiza o original Aniki Bóbó, um filme que mistura realismo e poesia.
Roma Cidade Aberta, de Roberto Rossellini, é o filme que marca oficialmente o nascimento do neo-realismo italiano.
Vittorio De Sica oferece-nos o belíssimo e sensível O Ladrão de Bicicletas e Luchino Visconti o perturbador Obsessão.
sábado, abril 01, 2006
A Minha Vida é o Teatro e o Teatro é a Minha Vida...
È considerado um dos melhores (senão mesmo o melhor) actor português da sua magnifica geração. Tendo iniciado a sua carreira aos quinze anos de idade, deixou-se consideráveis e extraordinários testemunhos do seu amor pela arte, assim como do seu esforço, sem dúvida bem sucedido, para fazer um trabalho de qualidade.
"Nascemos e durante a vida estamos à espera de uma coisa que nunca chegará, que chega pouco... A vida sempre foi assim."
quarta-feira, março 29, 2006
Et Le Gagnant Est... Micro Audio Waves!
O projecto português de música electrónica Micro Audio Waves venceu em Paris dois Prémios Qwartz Electronic Music, para Melhor Àlbum, com "No Waves", e melhor Videoclip, com "Fully Connected", anunciou hoje a representante do grupo.
Os Micro Audio Waves foram criados em 2000 por Flak (dos Rádio Macau) e Carlos Morgado, a quem se juntou a vocalista Claúdia Ribeiro.
segunda-feira, março 27, 2006
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